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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sobre ser mãe

Ninguém me disse o que era ser mãe de verdade. Ninguém me disse que era tão bom mas que cansava tanto. Ninguém me disse que eu não poderia mais dormir por longas horas, ou mesmo ter tempo para cuidar de mim. Agora é quando dá. Quando dá eu durmo, quando dá eu tomo banho, quando dá eu penteio o cabelo. Porque a prioridade não sou mais eu. Meu mundo não sou mais eu. Meu mundo agora é um serzinho que chegou e ocupou todos os espaços da minha vida. Não penso mais em sair para comprar uma blusa pra mim, mas penso em tudo o que ele pode precisar ou mesmo querer. Ou mesmo nem se importar mas eu acho que ele vai gostar, ou um dia vai ver as fotos e saber que eu me importei. Me importei que ele tivesse roupinhas bonitas, me importei que ele tivesse lençóis macios, cobetores fofinhos. Me importei que ele tivesse brinquedinhos para se distrair e aprender, se não os mais caros, pelo menos os mais legais. Me importei com coisas que não vão aparecer nas fotos, mas ele vai ouvir as pessoas dizendo como ele era cheiroso, e como estava saudável e bem desenvolvido. Me preocupo com os banhos de sol, embora eu me lembre de detestar ficar no sol quando era criança. Mas sei o quanto é importante e que minha mãe não fazia aquilo para me deixar de castigo, mas para me poteger. Me preocupo com as mamadas e não importa o quanto doa, vou continuar alimentando meu filho em mim. E ninguém me disse que amamentar doía, que fazia ferida até. Mas hoje dizem que um dia melhora e você não sente mais. Também não me disseram que o estoque de fraldas deveria ser infinito e que às vezes bastaria colocar uma limpa para ele se sujar de novo. Mas tudo bem, troco logo para não correr o risco de meu bebezinho ter algum problema. Ninguém me disse que seriam tantos choros diferentes e eu não recebi um manual de instruções me dizendo o que fazer em cada caso. Nem quando. Nem o motivo de cada choro, nossa, como é difícil decifrar essa língua do choro! E às vezes eu fico tão nervosa de não saber como consolar meu filho! E ninguém me disse que ele choraria de sono... não é tão mais fácil fechar os olhos e dormir? Mas isso parece missão impossível para esse serzinho... ou será que é só vontade de um colinho? Não importa o que ninguém me disse ou mesmo o que me disseram, importa o quanto eu amo essa coisinha pequena que conseguiu mudar toda a minha vida de uma forma que eu não imaginei que fosse possível. Não importa como queiram que eu o crie pois no fim das contas eu o criarei da forma como eu achar melhor, como eu achar correto. E não adianta alguém chegar com uma "fórmula mágica" dizendo que eu não faço certo. Pode falar, eu vou continuar fazendo do meu jeito, errando e acertando, aprendendo a cada dia o que é ser mãe, o que é criar um bebezinho,como é educá-lo e dar a ele o melhor que eu puder. E o melhor que eu posso não precisa de dinheiro, mas precisa de cuidado. Cuidado com ele, cuidado comigo para dar o melhor a ele. Descansar o que der para ter mais leite, esquecer os palpites para não ficar nervosa, abraçar quando eu achar que devo e deixar chorando se for preciso. Dar colo, dar amor,dar carinho,mas saber repreender quando for preciso, dar castigo, ensinar o certo e o errado.


Ser mãe não é fácil... acho que nem em uma vida inteira serei perfeita, não cometerei erros. Mas a vida é errar pra acertar,aprender sempre, crescer... crescer junto com meu bebê. E um dia ver nos seus olhos que eu, de certa forma, acertei.

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